Segunda, 16 Agosto 2021 11:42

Sobre a "minirreforma trabalhista "

Marcos Luiz Souza
Mais um crime contra o trabalhador e a economia.

Essa semana foi marcada por um turbilhão de fatos políticos que ofuscaram o, talvez, mais importante fato maligno e o que mais trará reflexos nefastos a curto e médio prazo, qual seja, o projeto apelidado de“minirreforma trabalhista”, aprovado na Câmara dos Deputados. 

Todos sabemos que quando se fala em "Reforma Trabalhista" nesse país isso significa simplesmente suprimir direitos básicos de dignidade do trabalhador. Faz tempo que o único objetivo de tais reformas é apenas retirar direitos visando o aumento artificial de lucros do setor empresarial, substituindo a fórmula de maior produtividade,  estratégias de mercado, grandes ideias empresariais e outras, pela miséria do trabalhador e a diminuição de sua renda e das garantias trabalhistas e previdenciárias para gerar o lucro do patrão.  

A crueldade da vez prevê empregos para jovens com menos direitos trabalhistas e, em duas situações, trabalho sem nenhum direito trabalhista ou proteção previdenciária. 

Em suma, o aue essa nova reforma fez foi retirar das famílias de classe média para baixo o orgulho de dizerem que seus filhos saíram do sub-emprego para um "emprego de carteira assinada". Sim, porque a grande diferença entre um e outro era justamente ter direitos. Direito ao décimo terceiro salário, direito a férias, direito a FGTS, direito a aposentadoria e garantias previdenciárias. 
Tudo isso foi para o ralo. Não existem mais direitos aos jovens trabalhadores das classes baixas, em troca de uma promessa mentirosa de geração de maior número de empregos. 

Em um país tomado por um processo acelerado de idiotização não surpreende que a desculpa para o absurdo seja a mesma que já não deu certo em 2017: a "Reforma" trará mais empregos, sendo uma oportunidade de inserção dos nossos jovens no mercado de trabalho. Falácia e canalhice que se desmancham em uma simples análise dos números do desemprego verificados a partir da malfadada Reforma Trabalhista de Michel Temmer. De lá pra cá, o desemprego só aumenta, ao passo que quem está empregado tem que se virar com salários baixos e direitos já ínfimos.

Legislação nunca criou empregos, vamos deixar isso bem claro! Produção gera empregos; projetos geram empregos; boa gestão e responsabilidade social geram empregos. Suprimir direitos gera apenas miséria, jamais empregos.

E onde a economia é afetada por mais esse ataque aos direitos trabalhistas?
Obviamente no baixo consumo que advirá da diminuição da renda do trabalhador. A relação é óbvia e direta.

Já digo, há muito tempo, que o objetivo de uma parcela gananciosa e - por que não dizer? - um tanto ignorante do empresariado e da elite é eliminar todos os direitos do trabalhadores e extinguir a Justiça do Trabalho.  Não possuem conhecimento suficiente para entender que a função social do trabalho também é mola-mestra de uma economia forte. A roda do consuma gira na relação direta da quantidade de dinheiro disponível para todas as camadas da população. O mercado de consumo de produtos simples é tão ou mais importante para a economia quanto o mercado de consumo do luxo e da futilidade.

Os efeitos dessa miserabilização da classe trabalhadora serão devastadores.

Não se pode desfrutar de riquezas em um miserável país de miseráveis. 

E é para esse caminho sem volta onde estamos nos dirigindo, sob os aplausos de uns e o silêncio de outros.


Por Marcos Luiz Souza