Quinta, 09 Julho 2020 17:47

Para Rita Cortez, resistência à mulher na política se deve à redução do espaço masculino

A presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, participou nesta quinta-feira (9/7) da primeira reunião virtual da campanha organizada pela Comissão Nacional da Mulher Advogada (CNMA), com o objetivo de aprovar o projeto que prevê a paridade de gênero a partir das próximas eleições do sistema OAB, em 2021. “O avanço da presença das mulheres no âmbito político gera resistência, porque vai reduzindo o espaço tradicionalmente masculino”, afirmou Rita Cortez. A reunião foi conduzida pela presidente da CNMA, Daniela Borges, e contou com a presença da conselheira federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Valentina Jungmann, de Goiás. Ela é autora do projeto que prevê a substituição da cota de 30%, por gênero, pela formação de chapas igualitariamente divididas entre homens e mulheres, para as eleições na OAB.
“Em nome do IAB, estou apoiando a campanha e marchando com vocês para enfrentar os desafios que envolvem a busca pelo reconhecimento da advocacia feminina no campo da representação política”, ressaltou Rita Cortez. A presidente do IAB defendeu a união de todas as advogadas para o fortalecimento da campanha. “Temos que trazer para o movimento as mulheres que estão fora do sistema OAB, mas atuam em entidades representativas da advocacia”, sugeriu.

Primeira mulher agraciada com a Medalha Rui Barbosa, mais importante comenda da advocacia brasileira, recebida em 2017, Cléa Carpi da Rocha também participou da primeira reunião virtual da campanha. “Este tem que ser um movimento de luta pelos direitos humanos, pela democracia, pela advocacia e pela paridade”, propôs.

Daniela Borges destacou que o projeto de Valentina Jungmann foi aprovado, por unanimidade, na Comissão Especial de Avaliação das Eleições no Sistema OAB, recebeu parecer favorável da CNMA e foi encaminhado ao presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, que se comprometeu a submetê-lo ao Conselho Pleno. “A aprovação desse projeto pode ser revolucionária dentro da OAB”, disse Daniela Borges. A presidente da CNMA informou que estão sendo colhidas assinaturas de apoio ao projeto. “Temos mais de 500 mil advogadas no País para participar da campanha, e contamos também com o apoio de advogados”, afirmou.

Na sua participação, Valentina Jungman, incialmente, valorizou a conquista da cota de, no mínimo, 30% por gênero. “Foi um avanço, mas o princípio da paridade, previsto na Constituição Federal, é o que impulsiona o movimento para que nós, mulheres, ocupemos 50% dos cargos de titulares e suplentes”, explicou a advogada, acrescentando: “Como se diz por aí, estamos abalando as estruturas da Ordem”.