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ENTREVISTA
- IAB- PAULO SABOYA - PUBLICADO HOJE DIA 07/07/2008 - JORNAL DO COMMERCIO
GISELLE
SOUZA - De espectador a ator. Esse é a principal
objetivo do presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB),
Paulo Eduardo de Araújo Saboya, em relação
à instituição que comanda desde maio deste
ano. Nesses primeiros meses, o advogado avaliou o trabalho desenvolvido
pela entidade, que antecede a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
e existe há 165 anos. A conclusão a que chegou é
a de que a modificação na postura do instituto se
faz necessária para torná-lo mais ativo no cenário
nacional. "Ao invés de comentarmos os projetos de lei
que chegam ao Congresso, como fazíamos tradicionalmente,
vamos tomar a iniciativa, vamos começar a formular e encaminhar
projetos ao parlamento. Essa será uma mudança radical
na postura do IAB",afirmou Paulo Saboya, sobre os planos que
tem para instituição.
Uma das metas do advogado é fazer com que a entidade passe
a contribuir de forma mais contundente no que diz respeito à
instalação de um Estado Democrático de Direito
Social, com a formulação de propostas que possam contribuir
para o aperfeiçoamento do sistema jurídico do País
e também proporcionar maior distribuição de
renda. Nesse sentido, ele destacou a estratégia que pretende
desenvolver a frente do IAB, nos dois anos que terá de mandato.
Nela, está incluída ainda a proposta de fazer com
que a entidade passe a trabalhar de forma integrada com os órgãos
representativos da advocacia nos países que membros do Mercosul.
Por uma presença maior no cenário político.
JORNAL DO COMMERCIO - Quais planos o senhor tem para o IAB?
PAULO EDUARDO DE ARAÚJO SABOYA - Queremos
reformular o instituto. Isso será feito a partir da experiência
obtida nas últimas gestões. Vislumbramos como uma
necessidade, por exemplo, aumentar a nossa base física. O
espaço que ocupamos atualmente tem sido insatisfatório
para o desenvolvimento do nosso trabalho. Pretendemos ocupar mais
alguns andares no prédio onde hoje funciona o IAB (Avenida
Marechal Câmara, 210 5º andar, Castelo - Rio de Janeiro).
Isso, para possibilitar a realização das reuniões
comissões permanentes e, sobretudo, a informatização
do IAB. Se conseguirmos informatizá-lo, vamos pôr em
contato definitivo o conjunto de advogados que fazem parte do instituto,
mas não moram no Rio de Janeiro. O âmbito de atuação
da entidade é nacional. Então, não queremos
regionalizá-la, mas ampliá-la, isso não apenas
no Brasil, mas também no Mercosul. Essa é uma das
nossas preocupações primárias: nacionalizarmos
a nossa atividade e também internacionalizar nossa atuação,
buscando uma agenda comum com a Argentina, Uruguai e Paraguai.
Qual o objetivo dessa internacionalização?
- À maior comunicação cultural e econômica.
O direito pode ajudar a desemperrar certas amarras que ainda existem
para a completa integração entre os países
do Mercosul. Tomando como exemplo a União Européia,
queremos buscar a integração sócio-econômica
e cultural entre os países que fazem parte desse bloco.
Como o senhor pretende efetivar esse projeto de internacionalização?
- Buscando o que temos em comum, a partir da unificação
das nossas economias, por exemplo, e da análise do direito
obrigacional e comercial internacional, para que possamos sugerir
ao parlamento latino-americano projetos que regulamentem essas atividades
nesses países. Isso, para nós, é muito importante.
Estamos começando a entrar em contato com os organismos congêneres
ao nosso. Mas outro ponto que pretendemos também é
discutir essa reforma tributária. Tal como foi posta, achamos
que até um insulto à nação. Não
houve debate suficiente e a população não está
esclarecida. Recentemente verificamos a elevação da
carga tributária, que já está insuportável.
Então, pretendemos reunir as melhores cabeças que
temos em Direito Tributário para oferecermos uma contrapartida
e as nossas sugestões para uma efetiva reforma tributária.
Esse é um trabalho que está me mobilizando muito e
em qual depositamos muitas esperanças.
O IAB já tem algum projeto pronto em relação
à reforma tributária?
- Temos um trabalho feito na gestão anterior e a partir do
qual vamos desenvolver os apartes finais. Esse trabalho vai começar
já neste mês. As linhas principais desse projeto serão
a desoneração do capital produtivo e do trabalho.
Estamos começando o debate acerca disso. O que posso dizer
de forma definitiva é que não estamos satisfeitos,
de forma alguma, com a proposta do governo de reforma tributária.
Os juristas brasileiros não estão satisfeitos.
De que forma essa desoneração seria possível?
- Existe uma base oriunda das discussões realizadas nas gestões
anteriores. A partir delas é que vamos formular e oferecer
uma proposta. A previsão é de quem em 60 dias a gente
já tenha esse projeto, se não finalizado, pelo menos
muito bem adiantando. Mas também temos outro projeto, em
face do lamentável avanço do estado policial que estamos
percebendo. Recentemente, foram festejadas algumas mudanças
no Código de Processo Penal e das quais não estamos
de acordo. A supressão de determinados estágios de
coleta de provas, por exemplo, com a justificativa de acelerar o
processo penal. Com isso, corre-se o risco de haver julgamentos
açodados, muito próximos do evento e, por essa razão,
sob forte emoção. Isso não é uma boa
política criminal. Não queremos nem que o julgamento
se distancie nem ocorra em cima do fato. As modificações
estão se encaminhando para lado que não é o
mais recomendável. Por isso, nomeie uma comissão para
estudar essa matéria. O governo também nomeou uma
comissão para reformar o Código, mas os advogados
não foram consultados.
Há algum projeto para tornar mais forte a presença
do IAB em Brasília?
- Na medida em que nossos projetos tiverem ressonância, acho
que isso acabará ocorrendo em decorrência da eficácia
do IAB. Não podemos nos impor pela nossa tradição.
Ao contrário, temos que usar nossa tradição
para mostrar nossa excelência. Queremos que nossas propostas
sejam de tal forma proveitosas, de maneira que sejamos sempre consultados.
Em relação à OAB, existe algum plano
de trabalho conjunto?
- Na realidade, pretendemos ser o braço acadêmico e
cultural da OAB. Essa, aliás, é a uma das principais
funções a serem desenvolvida, pois foi para a qual
me elegi. Como presidente do Tribunal de Ética de Disciplina
da Seccional do Rio de Janeiro, aceitei esse cargo (no IAB) porque
me acho capaz de estabelecer essa ponte entre as duas instituições.
Tenho freqüentado as reuniões do Conselho Federal, pois
o presidente do IAB integra a mesa diretora da OAB. A partir disso,
estamos aprofundando nossa relação com o Conselho
Federal.
Que outros planos o senhor tem?
- O que buscamos é transformar o Estado Democrático
de Direito em um Estado Democrático de Direito Social, aproveitando
a experiência gratificante da Constituição.
Já que consolidamos o Estado Democrático de Direito,
não deixar de reconhecer que ainda se deve à nação
um tratamento correto quanto às questões da saúde,
da educação, da violência. Isso é um
desfalque, algo em que o Estado não está servindo
à sociedade.
Como será a colaboração do IAB nesse
sentido?
- Vamos agora mudar um pouco nossa atenção. Ao invés
de comentarmos os projetos de lei que chegam ao Congresso, como
fazíamos tradicionalmente, vamos tomar a iniciativa, vamos
começar a formular e encaminhar projetos ao parlamento. Isso
será uma mudança radical na postura do IAB. Ao invés
de sermos comentaristas, passaremos agora tentar pegar a rédeas
da discussão.
Qual é a estrutura da entidade para que isso ocorra?
- Vamos utilizar o talento dos nossos associados para que eles contribuam
com o debate nacional. O que buscamos, em suma, é um novo
iluminismo. É chegado o momento de os intelectuais, de uma
forma geral, começarem a propiciar outros temas de organização
mundial.
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