Homenagem póstuma a Francisco Ramalho é marcada por discursos emocionados - Instituto dos Advogados Brasileiros | IAB
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Quinta, 13 Setembro 2018

Homenagem póstuma a Francisco Ramalho é marcada por discursos emocionados



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João Carlos Castellar
João Carlos Castellar
“Com a sua sensibilidade, sua notável capacidade de pesquisador e paixão pelo IAB, Francisco Ramalho deu uma contribuição inestimável para a preservação do nosso patrimônio histórico e teve uma atuação importantíssima na restauração do plenário e de peças que compõem o acervo do Museu do IAB, realizada na gestão anterior.” A afirmação emocionada foi feita pela presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, na sessão ordinária desta quarta-feira (12/9), durante a homenagem póstuma prestada ao consócio Francisco José Andrade Ramalho, que morreu no último sábado, aos 56 anos, e fora por ela designado assessor da Presidência para Assuntos Históricos.

A sessão foi marcada por discursos comoventes, especialmente o proferido pelo consócio João Carlos Castellar: “Trago comigo a desventura de ter protagonizado em meu último encontro com Ramalho episódio de que me penitencio amargamente, do qual me desculpei pessoalmente já na manhã seguinte de minha desfeita”, disse João Carlos Castellar, com a voz embargada. “Ramalho, caridoso, como era de seu jeito, de pronto aceitou e, inclusive, disse-me que ele próprio não se conduzira bem na ocasião e que meus excessos teriam alguma razão de ser”, relatou Castellar, acrescentando: “Quanta generosidade com um agressor confesso e arrependido!”.

Ele destacou a atuação de Francisco Ramalho no trabalho de restauração do plenário do IAB: “No curso das reformas conduzidas pelo então presidente Técio Lins e Silva, ele despontou como um valioso confrade, contribuindo de modo ímpar e desprendido para a recuperação do acervo histórico desta Casa, garimpando em cantos, vãos e gavetas abandonadas peças de arte de formidável beleza, recuperando-as e trazendo-as de novo à luz, para nosso deleite e admiração”.


Da esq. para a dir., Carlos Eduardo Machado, Rita Cortez, Antonio Laért Vieira Junior e João Carlos Castellar, na tribuna

Parado no tempo – Castellar também ressaltou: “Até o velho relógio que, por décadas, permaneceu parado no tempo mereceu sua atenção. Era ele quem zelava, todas as quartas-feiras, pelo seu funcionamento”. A homenagem póstuma ao consócio, que tinha o hábito de dar corda, antes do início das sessões ordinárias, na peça instalada no plenário histórico, incluiu a colocação da placa “Carrilhão Francisco Ramalho” no relógio que badalou por muito tempo no prédio do Silogeu Brasileiro, que abrigou a primeira sede do IAB.

Presidente da Comissão de Direito Administrativo, Manoel Messias Peixinho foi o orientador de Ramalho no Mestrado da Universidade Candido Mendes, em 2008. “A sua tese sobre parcerias público-privadas na manutenção de presídios foi um estudo arqueológico da pena privativa de liberdade, que abrangeu o encarceramento desde os tempos bíblicos, passando pela Idade Média e chegando até as propostas neoliberais de unidades penitenciárias sob controle da iniciativa privada”.


Manoel Messias Peixinho

Para o diretor de Acompanhamento Legislativo Trabalhista, João Theotonio Mendes de Almeida Junior, “Ramalho era um poço de cultura, com vastos conhecimentos nos campos da história, da literatura e da religião”. O 1º vice-presidente, Sergio Tostes, disse que “Francisco Ramalho foi uma figura especial, fora do seu tempo, que tinha a noção exata do valor histórico das peças do acervo do IAB”. O presidente da Comissão de Direito Constitucional, Sérgio Sant’Anna, disse que “esse é um momento de enorme tristeza”.


João Theotonio Mendes de Almeida Junior dá corda no carrilhão Francisco Ramalho


Sergio Tostes



Sérgio Sant'Anna

Para o diretor de Pesquisa e Documentação, Hariberto de Miranda Jordão Filho, “Francisco Ramalho deveria ter nascido no século 19, porque era um amante dos tempos do Império”. O secretário-geral, Carlos Eduardo Machado, disse: “Fiquei chocado com a perda inesperada de Francisco Ramalho, que não se conformava com o óbvio, o lugar-comum, e, por ter uma cultura extraordinária, sempre foi prestigiado pelo presidente Técio Lins e Silva, que reconheceu a sua importância e contou com a sua participação na recuperação do plenário”.


Hariberto de Miranda Jordão Filho

O diretor-secretário Antonio Laért Vieira Junior afirmou: “A vida é esse espaço de tempo entre o nascer e o morrer, que é curto para alguns e longo para outros. Ramalho dedicou a sua vida à cultura e à preservação do acervo histórico do IAB”. O 2º vice-presidente da Comissão de Filosofia do Direito, Euclides Lopes, falou que, “embora não fosse próximo de Ramalho, tinha por ele um grande carinho, por uma razão inexplicável”.

Euclides Lopes