Ministro da Justiça diz que há grupos que defendem o 'quanto pior melhor

O Globo - 1/4/2016
O ministro da Justiça, Eugênio Aragão - José Cruz/Agência Brasil - See more at: http://www.iabnacional.org.br/article.php3?id_article=5204#sthash.7O5967tu.dpuf O ministro da Justiça, Eugênio Aragão - José Cruz/Agência Brasil - See more at: http://www.iabnacional.org.br/article.php3?id_article=5204#sthash.7O5967tu.dpuf
 Um evento organizado pela Igreja Católica para evitar que a crise política brasileira resulte em violência e intolerância foi usado pelo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, para criticar a oposição. Segundo ele, há pessoas interessadas no "quanto pior, melhor". Ele também afirmou que, pela pequena diferença de votos entre Dilma Rousseff, que venceu a eleição presidencial em 2014, e Aécio Neves, o candidato derrotado da oposição, houve quem se sentisse legitimado para trabalhar contra o resultado das urnas.

- Parece que há grupos, pessoas interessadas no quanto pior melhor, e com isso deixando o país com dificuldades de manter a qualidade na sua governança e deixando a economia em suspenso na insegurança. Está na hora de todos os brasileiros buscarem seu compromisso com a democracia que foi tão duramente conquistada entre nós - disse o ministro.

 - Vamos ter outras eleições. Vamos ter eleições em 2018. É importante, sim, na democracia, que haja revezamento de poder. Mas, esse revezamento só é possível de forma tranquila se todos nós enxergamos no outro alguém tão legitimado como nós. Não podemos achar que nós somos os donos da moralidade, nós somos os donos da virtude e que o outro é apenas um sujeito pernicioso, que o outro é um degenerado, que o outro é um desqualificado. Não podemos mais aceitar mais esse tipo de linguagem da divisão. Precisamos da linguagem da união - acrescentou Aragão.

 O ministro destacou alguns exemplos de intolerância no país, como a depredação de imóveis ocupados por partidos políticos e entidades sociais, o assassinato de dois militantes do PCdoB, agressões verbais a autoridades e ex-autoridades em restaurantes e até o bullying sofrido por filhos de pessoas com cargos no governo.

- Que todo mundo se esforce neste momento por aceitar a divergência, que o outro é tão legitimado quanto ele nas suas opiniões. Eu fico muito preocupado principalmente de conflitos dentro das famílias. Pais brigando com os filhos, irmãos brigando. Isso é algo que realmente nos afeta na nossa profunda intimidade. Isso não é bom para nós. Isso cria uma cultura da insatisfação, da violência, e até porque não dizê-lo de uma psicose coletiva. E nós temos que ultrapassar isso para resolvermos os problemas do país - afirmou Aragão.

Preocupada com o clima político do país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) procurou representantes do governo e da sociedade civil e, nesta sexta-feira, em evento ocorrido na sede da entidade, assinou um documento no qual pede a busca permanente de solução pacíficas para a crise. O texto, intitulado Conclamação Dirigida ao Povo Brasileiro, foi assinado por Aragão; pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, Leonardo Steiner; pelo procurador da República Aurélio Veiga dos Rios, que representou o Ministério Público Federal (MPF); e pelo presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Técio Lins e Silva.